Lula relaciona vermelho do PT ao sangue de Cristo durante encontro com pastores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na quarta-feira (16), de uma reunião com pastores evangélicos brasileiros e dos Estados Unidos e falou sobre sua relação com símbolos do Partido dos Trabalhadores e referências religiosas presentes em sua trajetória.

Durante o encontro, Lula afirmou que já utilizou uma associação com o sangue de Jesus Cristo para explicar a cor vermelha da bandeira do PT. O presidente também relacionou o uso de sua barba à representação tradicional de Jesus como um homem barbado.

Lula explica símbolos do PT

Ao comentar os questionamentos que recebeu ao longo dos anos sobre os símbolos do partido, Lula mencionou três elementos: a cor vermelha, a estrela e sua própria barba.

Segundo o presidente, a estrela era apresentada por ele como um instrumento utilizado historicamente por navegadores para orientação durante as viagens marítimas. Já sobre a barba, afirmou que recorria à imagem de Jesus Cristo para explicar sua escolha.

A declaração ocorreu durante uma agenda de aproximação com representantes do segmento evangélico, grupo que possui peso relevante no cenário político brasileiro.

Presidente diz que não fará comícios dentro de igrejas

Lula também abordou a relação entre política e religião. Segundo ele, não pretende utilizar templos religiosos para realizar atos políticos.

O presidente afirmou que considera a fé uma questão sagrada e disse respeitar a relação individual dos brasileiros com Deus. Na avaliação apresentada por Lula durante o encontro, eventuais atividades políticas devem ocorrer fora das igrejas, como em atos e comícios.

A declaração foi feita tanto em referência a igrejas evangélicas quanto católicas.

Lula relembra trajetória pessoal

Durante a reunião, Lula também falou sobre sua história de vida. O presidente citou a infância em Pernambuco, a mudança para São Paulo e sua trajetória política até chegar à Presidência da República.

Ao relembrar esse percurso, afirmou considerar que Deus foi generoso com ele ao longo de sua vida.

Eleitorado evangélico aparece no centro da disputa eleitoral

O encontro acontece em um momento de atenção especial dos partidos e candidatos ao eleitorado evangélico. Dados recentes da pesquisa Quaest mostram diferenças importantes entre os segmentos religiosos na corrida presidencial.

No conjunto geral da pesquisa, divulgada em setembro, Lula aparece com 40% e Flávio Bolsonaro com 42% em uma simulação de segundo turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o levantamento caracteriza o cenário como empate técnico.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.

Aproximação com evangélicos ganha espaço

A presença de Lula em um encontro com pastores ocorre, portanto, em um contexto no qual o diálogo com o eleitorado evangélico ganhou importância na eleição presidencial de 2026.

Além das declarações sobre religião e política, o presidente aproveitou a reunião para falar de sua trajetória pessoal e explicar como enxerga alguns dos símbolos associados à sua imagem pública e ao PT.

A reunião entre Lula e líderes evangélicos colocou novamente no centro do debate a relação entre política, religião e o eleitorado cristão. Ao comentar o vermelho do PT, sua barba e sua postura diante de atividades políticas dentro de templos, o presidente apresentou suas próprias referências religiosas e defendeu a separação entre atos políticos e cultos.

O encontro ocorre em meio a uma disputa eleitoral marcada por atenção crescente aos diferentes segmentos do eleitorado, entre eles os evangélicos.

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