A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL-DF), manifestou apoio público ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao embate envolvendo o magistrado e Alexandre de Moraes nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Na noite deste sábado (5), Michelle publicou uma fotografia em que aparece ao lado de Mendonça, segurando a mão do ministro. Na mensagem que acompanhou a imagem, ela relatou uma experiência religiosa que, segundo afirmou, ocorreu antes de o então presidente Jair Bolsonaro indicar Mendonça para uma vaga no Supremo.
Michelle relata experiência religiosa
Segundo a ex-primeira-dama, durante um momento de consagração, ela teria recebido uma revelação relacionada ao futuro ministro do STF.
Michelle contou que visualizou Mendonça chegando ao tribunal e afirmou que, depois daquela experiência, passou a acreditar que ele seria escolhido para ocupar uma cadeira na Suprema Corte.
Ao manifestar seu apoio ao ministro, a ex-primeira-dama também utilizou uma mensagem de incentivo e fé, defendendo que Mendonça permaneça firme diante do momento de pressão que enfrenta.
A declaração ocorre justamente após uma semana de forte tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Michelle afirmou que, depois daquele episódio, teve certeza de que a vaga seria ocupada por Mendonça. Ao final da publicação, dirigiu-se ao ministro: “Seja forte e corajoso. Não retroceda! […] Saiba que você é um escolhido e ungido do Senhor”.
Indicação de Mendonça ocorreu em 2021
André Mendonça foi escolhido por Jair Bolsonaro para o STF em julho de 2021. Naquele período, Bolsonaro havia afirmado que pretendia indicar para a Corte um ministro que fosse “terrivelmente evangélico”.
Pastor presbiteriano, Mendonça já havia exercido funções de destaque no governo federal, incluindo os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça.
A indicação foi submetida ao Senado, que a aprovou em 1º de dezembro de 2021 por 47 votos a 32. A posse ocorreu em 16 de dezembro daquele ano, quando Mendonça passou a ocupar a cadeira anteriormente pertencente ao ministro aposentado Marco Aurélio Mello.
Michelle Bolsonaro acompanhou a votação no Senado e, posteriormente, apareceu em vídeos comemorando a aprovação junto a líderes religiosos.
Conflito no STF envolve investigações sobre o Banco Master
A manifestação de Michelle acontece em um cenário de conflito entre Mendonça e Moraes relacionado às investigações envolvendo o Banco Master.
A tensão aumentou depois que Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria das apurações, determinou a retirada do sigilo de documentos produzidos pela Polícia Federal (PF).
Entre os materiais divulgados estão mensagens e registros de contatos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os registros mencionam conversas com Moraes e outras autoridades.
Segundo as informações apresentadas, os contatos indicariam que Vorcaro teria procurado o ministro para tratar do andamento das investigações e de contatos com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Moraes encaminha documentos contra Mendonça
Após a divulgação dos documentos, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, relatórios de Inteligência da Polícia Federal contendo acusações relacionadas à atuação de Mendonça.
Na avaliação apresentada por Moraes, os documentos levantariam suspeitas de possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade envolvendo a condução das operações Compliance Zero, ligada ao Banco Master, e Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As alegações mencionam, entre outros pontos, suposta interferência nas atividades dos investigadores, participação considerada irregular em negociações de colaboração premiada e eventual escolha de alvos por motivos pessoais ou políticos.
Mendonça nega as acusações.
Um dos documentos utilizados por Moraes, entretanto, informa que o material não possui valor probatório e aponta níveis de confiabilidade classificados como baixos ou moderados em parte das informações.
Fachin determina retirada dos documentos do Inquérito das Fake News
Na sexta-feira (4), Luiz Edson Fachin determinou que os documentos fossem retirados do Inquérito das Fake News e encaminhados para a Petição 16.704, que está sob responsabilidade da Presidência do Supremo.
A decisão não confirmou a validade das acusações apresentadas contra Mendonça e também não significou, automaticamente, a abertura de uma investigação contra o ministro.
A Procuradoria-Geral da República recebeu prazo de cinco dias úteis para avaliar a admissibilidade do pedido. Depois disso, Mendonça também poderá apresentar sua manifestação dentro do mesmo período.
Associação de delegados reage e crise chega à Polícia Federal
O episódio também provocou reação dentro da Polícia Federal.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal solicitou que Paulo Gonet se declare impedido de participar dos procedimentos relacionados aos fatos nos quais seu nome aparece.
A entidade argumentou que os delegados responsáveis pelos documentos apenas cumpriram uma determinação judicial. A associação também pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR para avaliar a conduta dos policiais envolvidos.
Enquanto isso, outra proposta passou a integrar as discussões internas do STF. O ministro Gilmar Mendes apresentou uma medida que pretende impedir policiais e militares de desempenharem funções processuais ou de assessoramento jurídico nos gabinetes dos ministros da Corte.
A proposta prevê uma exceção para atividades relacionadas à segurança. Para entrar em vigor, porém, a mudança ainda precisa ser analisada pela Comissão de Regimento e posteriormente passar por deliberação administrativa do Supremo.
Apoio político e religioso
Ao publicar sua mensagem, Michelle Bolsonaro reforçou publicamente o apoio a André Mendonça justamente em um momento de crescente tensão institucional envolvendo integrantes do STF.
A manifestação também recuperou a relação construída em torno da indicação de Mendonça em 2021, quando sua escolha para a Suprema Corte foi acompanhada de forte expectativa entre lideranças e grupos religiosos que apoiavam a indicação de um ministro identificado com a fé evangélica.
Agora, diante das acusações e dos questionamentos envolvendo as investigações do Banco Master e outras operações, Michelle decidiu tornar público seu respaldo ao ministro.
O apoio de Michelle Bolsonaro a André Mendonça ocorre em meio a uma disputa que envolve ministros do STF, documentos produzidos pela Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e as investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS.
Enquanto as acusações contra Mendonça são contestadas pelo ministro e os documentos passam por avaliação institucional, o episódio continua provocando manifestações de diferentes setores. A decisão de Fachin encaminhou a análise dos documentos para a Presidência do STF, deixando para a PGR a avaliação sobre a admissibilidade do pedido.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há mais 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo dos Portais Veja Aqui Agora e Povo de Fé. Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos Oficial” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com


